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Economia Circular. O que é?
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Economia circular é um conceito econômico que faz parte do desenvolvimento sustentável e de conceitos econômicos inspirados nomeadamente em noções de permacultura econômica, de economia verde, de economia de uso ou da economia de funcionalidade, da economia desempenho e da ecologia industrial, e que emerge como alternativa à economia linear. O que propõe é que os resíduos de uma indústria sirva para matéria-prima reciclada de outra indústria ou para a própria. Não só isso, como, pretende desenvolver produtos tendo em mente um reaproveitamento que mantenha os materiais no ciclo produtivo.

Fonte: Wikipedia

A economia circular propõe uma mudança em toda a maneira de consumir, do design dos produtos até nossa relação com as matérias-primas e resíduos.

Você já parou para pensar em como funciona a inteligência do planeta? Esse grande organismo vivo se gere e autorregula em um processo cíclico. A energia é provida pelo Sol em abundância e todo o ”lixo” de uma espécie é alimento de outra. Tudo nasce para depois morrer e se transformar em energia para o ambiente novamente. O ciclo funciona em harmonia – ou deveria. O ser humano cada vez mais desequilibra essa balança e torna difícil para os serviços ecossistêmicos suportarem ou se recuperarem. No entanto, certos estudiosos apontam que a economia circular pode ser uma solução para minimizar o impacto humano no meio ambiente.

O sistema de economia circular agregou diversos conceitos criados no ultimo século, como: design regenerativoeconomia de performancecradle to cradle – do berço ao berço, ecologia industrialbiomiméticablue economy e biologia sintéticapara desenvolver um modelo estrutural para a regeneração da sociedade.

economia circular é um conceito baseado na inteligência da natureza, opondo ao processo produtivo linear o processo circular, onde os resíduos são insumos para a produção de novos produtos. No meio ambiente, restos de frutas consumidas por animais se decompõem e viram adubo para plantas. Esse conceito também é chamado de “cradle to cradle” (do berço ao berço), onde não existe a ideia de resíduo, e tudo é continuamente nutriente para um novo ciclo.

Transportando essa dimensão para a indústria de produtos, a cadeia produtiva seria repensada para que peças de eletrodomésticos usadas, por exemplo, pudessem ser reprocessadas e reintegradas à cadeia de produção como componentes ou materiais para a fabricação de outros eletrônicos.

economia circular é a ciência que repensa as práticas econômicas, indo além daqueles famosos três “R”s – reduzir, reutilizar e reciclar – pois ela une, pelo menos na teoria, o modelo sustentável com o ritmo tecnológico e comercial do mundo moderno, que não pode ser ignorado.

Atualmente, nosso sistema produtivo funciona de forma linear, o que não é sustentável devido ao grande acúmulo de resíduos, exploração excessiva de recursos, etc. Nós exploramos a matéria-prima, produzimos bens e depois os descartamos. A obsolescência programada gera resíduos que não recebem novos usos e se acumulam exponencialmente. Para se ter noção, no Brasil, temos hoje mais de 200 milhões de habitantes gerando resíduos. De acordo com dados do IBGE, cada brasileiro produz quase um quilo de lixo por dia, ou seja, são 183 mil toneladas diárias no país todo (saiba mais sobre resíduos sólidos urbanos).

Além dos resíduos, o esgotamento de matérias-primas também é uma grande preocupação. De acordo com relatório da Ellen MacArthur Foundation – organização que estuda e estimula a adoção da economia circular -, 65 bilhões de toneladas de matéria-prima foram inseridas no sistema produtivo mundial em 2010. O instituto projeta que, até 2020, essa quantidade terá subido para 82 bilhões de toneladas por ano.

E se, em vez do modelo em que se descartam os materiais não biodegradáveis, como máquinas de lavar roupa, smartphones, televisores, existisse outro em que esses materiais retornassem ao ciclo? Se eles fossem levados de volta a suas respectivas fábricas, desmontados, otimizados e trazidos de volta para nós? A economia lucra com a ausência de desperdício – e o planeta também! Em vez de uma reta final para os produtos, um novo ciclo: transformando resíduos em insumos, em nova matéria-prima. São novos “R”s que entram: de economia restaurativa e regenerativa. O que era fim é só um novo começo.

Para o desenvolvimento sustentável, deve-se controlar estoques finitos e equilibrar os recursos renováveis. Um primeiro passo é desmaterializar produtos e serviços (sistema que valoriza a função, a utilidade e nem tanto o produto em si). Além disso, há a necessidade de aprimorar a eficiência na criação de produtos e no reaproveitamento de resíduos sólidos. Já na concepção, os produtos devem ser pensados com a utilização de materiais facilmente recicláveis e não perigosos (substâncias puras, não tóxicas e segregáveis). É fundamental reduzir a contaminação para maximizar a circulação dos materiais. Os objetos devem ser concebidos para a remanufatura, a reforma e a reciclagem. Artigos com componentes e materiais no mais alto nível de utilidade, tanto no ciclo técnico quanto no biológico, otimizam a produção de recursos. Desse modo, componentes e materiais continuam circulando e contribuindo para a economia.

economia circular segue uma utilização racional dos recursos. Com o uso em cascata dos materiais, eles permanecem o maior tempo possível na economia. Após um produto chegar ao fim de seu ciclo para o primeiro consumidor, ele pode ser compartilhado e ter sua utilização ampliada. Posteriormente ao esgotamento de reúso do artefato, ele pode ser material de upcycling (reaproveitamento), reformado, remanufaturado e, como última etapa, reciclado. As alternativas de reciclagem atuais operam sobre bens de consumo que não foram projetados com este cuidado. A economia circular parte da proposta de desconstruir o conceito de resíduo com a evolução de projetos e sistemas que privilegiem materiais naturais que possam ser totalmente recuperados.

Fundação Ellen MacArthur

Fundação Ellen MacArthur é especializada em difundir e apoiar a mudança das empresas para esse novo modelo, que é capaz de gerar mais de um trilhão de dólares de lucro para a economia global. Foi criada uma rede de parceria entre empresas (líderes e emergentes) para colaborarem no salto coletivo para essa nova estrutura, essa união foi chamada “CE100” (Circular Economy Hundred). Nomes como Coca-Cola, Unilever, Philips e Renault estão na lista.

Além da óbvia vantagem comercial, a parceria também cria uma rede coletiva de solução de problemas, a construção de uma biblioteca com guias práticos para os respectivos negócios alcançarem sucesso com rapidez, e também proporcionar mecanismos para integrar a economia circular dentro de cada empresa.

Parece utopia para você? Pois saiba que diversas empresas já adotam essa abordagem. Em parceria com a Fundação Ellen MacArthur, o Google quer incorporar o conceito de economia circular na infraestrutura, na operação e na cultura da empresa.

Como funciona a implantação?

O funcionamento desse sistema, no entanto, não depende apenas das empresas, mas de todos os envolvidos no ciclo de vida de um produto, que precisam entender seu papel nesse novo modelo. O consumo deve ser desacelerado e consciente. Vivemos em um mundo com relações de produção e comércio globalizadas, por isso há necessidade de disseminar o conceito de economia circular mundialmente.

Diversos países sabem da importância e estão progressivamente implantando os conceitos. A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), lei implantada no Brasil em 2010, visa garantir a responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos, a operação reversa e o acordo setorial. Assim, todos os agentes do ciclo produtivo, os consumidores e os serviços públicos devem minimizar o volume de resíduos sólidos e adotar práticas que assegurem que os produtos sejam reintegrados ao ciclo produtivo. Na China, a economia circular faz parte da Lei de Promoção da Produção Limpa, promulgada em 2002. Medidas como a rotulagem ecológica de produtos, difusão de informações sobre questões ambientais na mídia e cursos oferecidos pelas instituições de ensino são importantes para familiarizar a sociedade com a economia circular.

Fonte: Ellen Macarthur Foundation / e-Cycle

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Wert Ambiental

 

3 thoughts on “Economia Circular. O que é?

Luiz Miguel says:

Boa noite,
Matéria relevantíssima do ponto de vista da consciência e educação ambiental. Temos que ter a consciência de que os recursos naturais são finitos para a nossa civilização e que dependemos totalmente dos mesmos para mantermos a vida minimamente no padrão decadente atual, pensar em algo restritivo do ponto de vista de matéria prima, seria o caos instalado, haja vista um simples boato de falta de qualquer item de primeira necessidade que ocorre uma corrida para cada um acumular o quanto puder, em detrimento à falta do outro. Um modo de vida como proposto na matéria acima poder-se-a viabilizar nas próximas e longínquas gerações, isso caso houver hoje a revolução cultural que engloba a reforma de pensar como sociedade e ambiente. Por isso que o foco tem de estar voltado as gerações vindouras, temos que implementar, apoiar ações que busquem a conscientização de quem irá consumir no futuro, o modo como é ensinado nas escolas à respeito do meio ambiente deve ser levado a reflexão de quão frágeis são os ecossistemas que nos dão o subsídio á vida, a capacidade de regeneração natural deve ser encaminhada desde a primeira infância para que uma criança de 5 ou 6 anos não precise ser chamada a atenção por jogar lixo ao chão, supondo que este tipo de conscientização já fora de muito superada e que a partir dos 5 anos essa criança já possa diferenciar um produto que tenha menos impacto na sua fabricação e exigir dos pais e autoridades medidas para que este tipo de produção seja regra e não a exceção. Faça um teste ao ir ao supermercado e note se há este tipo de educação nas crianças e adolescentes, não há e estes serão os consumidores do futuro, se houver um.

PS.: acredito que a ideia da matéria teria apenas um obstáculo a superar “…consumo deve ser desacelerado…”, infelizmente para os adultos de hoje isso seria impensável.

    Wert Ambiental says:

    Olá Luiz. Obrigado por estar sempre nos acompanhando e participando ativamente de nossos conteúdos.
    De fato,toda e qualquer mudança na forma do consumo como ele é, se ocorrer, ocorrerá através das novas gerações. Se há um lado positivo na chamada “geração milenial” é o fato de que eles tem uma consciência do global, do coletivo e do compartilhamento, muito maior e mais natural, do que as gerações anteriores (nós mesmos inclusos). Coisas como compartilhar carros (uber), casas de veraneio (airbnb) ou mesmo seu ambiente de trabalho com outros profissionais (coworking), eram inimagináveis a 10 – 20 anos atrás, e hoje são absolutamente comuns. Quem sabe o que será comum e amplamente aceito para a próxima geração de jovens adultos e quais conceitos de consumo eles trarão consigo?

Luiz Miguel says:

Olá. É verdade mesmo. Temos que transformar toda essa sopa de informação dessa geração em algo que possa ser digerido e transformado em potência de ação para tentar melhorar as nossas condições de vida terrena. A base têm de ser sólida para o resto da cadeia crescer com segurança e robustez no que tange à preservação da natureza (humana). Parabéns novamente pela matéria e pelo espaço de prolongamento intelectual discursivo.

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