Como armazenar resíduos inflamáveis e reagentes: regras da NBR 17.505 para depósitos industriais

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O processo de como armazenar resíduos inflamáveis e reagentes de forma segura exige a aplicação rigorosa da norma ABNT NBR 17.505. 

O armazenamento deve ser feito em áreas ventiladas e classificadas (Ex), com contenção secundária (bacias e diques com margem de segurança de 10% a 100%), segregação por compatibilidade química e controle rigoroso de fontes de ignição, atendendo também aos requisitos legais da NR-20.

O que é a norma NBR 17.505 e qual seu escopo de aplicação?

O gerenciamento de riscos no armazenamento, manuseio e processamento de líquidos inflamáveis e combustíveis constitui um dos pilares mais críticos da engenharia de segurança contra incêndios, da proteção ambiental e da segurança ocupacional na indústria moderna. 

Assim, para entender como armazenar inflamatórios e reagentes, a referência normativa central no Brasil é a coleção ABNT NBR 17505.

Nesse sentido, inspirada nas diretrizes da National Fire Protection Association (NFPA 30), a norma estabelece requisitos de engenharia para parques de tancagem, plantas industriais, instalações de distribuição e depósitos. 

Com efeito, o atendimento rigoroso a essa norma viabiliza o cumprimento da NR-20 e a obtenção do Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB/CBPMESP).

Entretanto, a abrangência da norma possui limites técnicos definidos. Por exemplo, a ABNT NBR 17505 exclui explicitamente de seu escopo:

  • Materiais sólidos com ponto de fusão igual ou superior a 37,8 °C;
  • Produtos líquidos que não preencham os critérios de fluidez ou viscosidade estabelecidos;
  • Gases liquefeitos de petróleo (GLP), gases comprimidos e líquidos criogênicos;
  • Operações offshore e transporte terrestre ou aquaviário regulados por legislações específicas.

Além disso, a aplicação das regras obedece ao princípio da não retroatividade, sendo exigível apenas em caso de ampliações, reformas estruturais ou alterações expressas de processo.

Como são classificados os líquidos inflamáveis e combustíveis?

A fundação técnica para saber como armazenar inflamatórios e reagentes baseia-se na caracterização das propriedades termodinâmicas dos fluidos: Ponto de Fulgor (PF), Ponto de Ebulição (PE) e Pressão de Vapor (PV).

Categoria Classe Ponto de Fulgor (PF) Ponto de Ebulição (PE) Exemplos Típicos
Líquido Inflamável Classe IA PF < 22,8 °C PE < 37,8 °C Éter etílico, pentano, derivados leves.
Líquido Inflamável Classe IB PF < 22,8 °C PE ≥ 37,8 °C Gasolina, etanol, acetona, benzeno.
Líquido Inflamável Classe IC 22,8 °C ≤ PF < 37,8 °C Não aplicável Xileno, aguarrás, solventes de tintas.
Líquido Combustível Classe II 37,8 °C ≤ PF < 60,0 °C Não aplicável Óleo diesel, querosene de aviação (QAV).
Líquido Combustível Classe IIIA 60,0 °C ≤ PF < 93,0 °C Não aplicável Óleo combustível denso, biodiesel.
Líquido Combustível Classe IIIB PF ≥ 93,0 °C Não aplicável Óleos lubrificantes, óleos hidráulicos, glicerina.

Além disso, a norma impõe uma regra operacional crítica: líquidos de Classe II ou III manipulados ou armazenados aquecidos a temperaturas iguais ou superiores aos seus pontos de fulgor devem ser obrigatoriamente projetados sob os requisitos da Classe I.

Inclusive, essa diretriz previne acidentes gravíssimos como a ebulição turbilhonar (boil over), na qual a água acumulada no fundo do tanque vaporiza instantaneamente, expandindo seu volume em 1.700 vezes e expelindo o combustível em chamas.

Como é dividida a estrutura multidisciplinar da ABNT NBR 17505?

A NBR 17505 é estruturada em sete partes interdependentes para orientar como armazenar inflamatórios e reagentes com total segurança operacional:

  • Parte 1 (Disposições Gerais): Terminologias, classificação de fluidos e equações fundamentais.
  • Parte 2 (Armazenamento em Tanques e Vasos): Dimensionamento de bacias de contenção, afastamentos mínimos e ventilação de emergência (tanques de superfície ou subterrâneos > 3.000 L).
  • Parte 3 (Sistemas de Tubulações): Projeto, seleção de materiais e ensaios de tubulações e válvulas.
  • Parte 4 (Armazenamento em Recipientes e IBCs): Acondicionamento em tambores, galões, IBCs e armários de segurança.
  • Parte 5 (Operações): Pátios de carga/descarga de caminhões-tanque, transvasamento e controle de eletricidade estática.
  • Parte 6 (Instalações Elétricas): Classificação de áreas com atmosferas explosivas (Zonas 0, 1 e 2) e especificação de equipamentos Ex.
  • Parte 7 (Proteção contra Incêndio): Sistemas fixos de resfriamento por água e combate por espuma (LGE) para parques de tancagem (> 450 L).

Como dimensionar bacias de contenção e afastamentos de tancagem?

O dimensionamento de contenções primárias e secundárias é fundamental no estudo de como armazenar inflamatórios e reagentes. Para tanques de superfície, a bacia de contenção deve reter vazamentos acidentais para prevenir contaminações.

Cálculo do volume útil da bacia de contenção

  • Tanque único de superfície: A bacia deve possuir capacidade líquida de no mínimo 100% do volume nominal do tanque (com margem prática estendida a 110%).
  • Múltiplos tanques verticais: O volume da bacia deve corresponder à capacidade do maior tanque, somada ao volume deslocado pelas bases e pelos corpos dos demais tanques abaixo do nível do dique, acrescido de uma margem de segurança de 10% para águas pluviais e de combate a incêndio.

Requisitos construtivos de diques

De acordo com as diretrizes técnicas, os diques podem ser construídos em alvenaria estrutural, concreto armado ou terra compactada. O piso interno deve apresentar declividade mínima de 1% em direção aos canais de drenagem, conectando-se a uma Caixa Separadora de Água e Óleo (Caixa SAO). A distância horizontal entre o costado de qualquer tanque e a base interna do dique não pode ser inferior a 1,5 metro.

Como controlar a eletricidade estática no manuseio de reagentes?

O controle do fluxo e o aterramento são cruciais no processo de como armazenar inflamatórios e reagentes e transferi-los entre recipientes.

Desse modo, em plataformas de carregamento, os tubos de enchimento (dip pipes) devem se estender até o fundo do compartimento para evitar o turbilhonamento e diminuir a geração de névoas eletrostáticas.

Consequentemente, a norma exige a equipotencialização e o aterramento elétrico de todos os componentes metálicos. O fluxo inicial de bombeamento de líquidos da Classe I deve ser mantido em velocidades reduzidas (abaixo de 1 m/s) até que a boca do tubo esteja completamente submersa.

O que são zonas de atmosferas explosivas segundo a norma?

A ABNT NBR 17505-6 estabelece os parâmetros de zoneamento elétrico para definir como armazenar inflamatórios e reagentes sob classificação de áreas:

  • Zona 0: Atmosfera explosiva presente continuamente ou por longos períodos (ex.: interior de tanques fechados com Classe I).
  • Zona 1: Atmosfera explosiva provável de ocorrer em condição normal de operação (ex.: entorno imediato de respiros, bombas e bocas de enchimento).
  • Zona 2: Atmosfera explosiva improvável em operação normal; se ocorrer, persiste por curto período (ex.: depósitos bem ventilados e pátios abertos).

Todos os equipamentos nesses envelopes devem possuir certificação específica contra explosão (Ex d, Ex e ou Ex i).

Quais são os requisitos para combate e proteção contra incêndio?

A proteção ativa contra incêndio é indispensável para validar como armazenar inflamatórios e reagentes em parques de estocagem industrial.

Resfriamento por água

  • Tanque em chamas: Taxa mínima de aplicação de 2,0 L/min/m² da área total do costado.
  • Tanques vizinhos: Tanques localizados a até um diâmetro (1D) ou 15 metros do tanque em chamas devem receber resfriamento contínuo de 2,0 L/min/m² sobre a área exposta.

Combate por Espuma (LGE)

A aplicação de Líquido Gerador de Espuma (LGE) abafa as chamas em produtos de Classe B. Para hidrocarbonetos não polares, a taxa mínima é de 4,1 L/min/m². Para solventes polares (como etanol ou acetona), utilizam-se espumas resistentes a álcool (AR-AFFF) com taxa de 6,0 L/min/m².

Diâmetro do Tanque (D) Número Mínimo de Câmaras de Espuma
D ≤ 24 m 1 câmara de espuma
24 m < D ≤ 36 m 2 câmaras de espuma
36 m < D ≤ 42 m 3 câmaras de espuma
42 m < D ≤ 48 m 4 câmaras de espuma
48 m < D ≤ 54 m 5 câmaras de espuma
54 m < D ≤ 60 m 6 câmaras de espuma

Dito isso, os hidrantes e canhões-monitores devem ser instalados obrigatoriamente fora da bacia de contenção, respeitando a distância mínima de 15 metros do costado dos tanques.

Como a Wert Ambiental te ajuda neste processo? 

Grandes indústrias optam por terceirizar a gestão e o armazenamento de resíduos com a Wert.

Assim, eliminamos o risco operacional dispondo de um galpão próprio de 1.000m², projetado sob as diretrizes da ABNT NBR 17505 e da NBR 12.235. Nossa estrutura conta com:

  • Bacias de contenção secundárias dimensionadas e impermeabilizadas;
  • Rigoroso controle de compatibilidade química e segregação por classes de risco;
  • Sistemas de drenagem oleosa direcionados para caixas SAO;
  • Instalações elétricas e iluminação 100% adequadas para áreas classificadas (Ex);
  • Sistemas ativos de combate a incêndio por resfriamento e LGE.

Em suma, ao transferir seus resíduos para a infraestrutura da Wert, sua empresa garante conformidade perante a NR-20 e o Corpo de Bombeiros, eliminando o risco de passivos ambientais.

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Perguntas Frequentes (FAQ) sobre como armazenar resíduos inflamáveis e reagentes

Como armazenar resíduos inflamáveis e reagentes de forma segregada?

A segregação deve respeitar a matriz de compatibilidade química, impedindo o armazenamento conjunto de oxidantes e inflamáveis, além de garantir diques de contenção individuais ou compatíveis para evitar reações violentas em caso de derramamento.

Quais recipientes são permitidos pela NBR 17505 para reagentes inflamáveis?

A norma autoriza o uso de tambores metálicos homologados, galões de segurança com alívio de pressão, recipientes intermediários para granel (IBCs) e armários corta-fogo certificados para pequenos volumes.